Quarteto 1111, A lenda – Aqui jaz o Prog Rock português

Publicado: 30 de Maio de 2012 por HernaniMed em MÚSICA

Este slideshow necessita de JavaScript.

Faço uma pequena interrupção no meu “hiato bloguista” para homenagear com grande prazer um dos melhores grupos portugueses de sempre: Quarteto 1111.

Conhecia bem o trabalho desenvolvido com base no Space Rock e Prog Rock do genio José Cid, com o seu reconhecido internacionalmente 10,000 Anos Depois Entre Venus e Marte, contudo estava longe de imaginar que dez anos antes Cid e companhia (Miguel Artur da Silveira, António Moniz Pereira, Jorge Moniz Pereira e mais tarde Tozé Brito) já faziam musica de uma qualidade extraordinária, deixando uma herança cultural inestimável que infelizmente não foi aproveitada em Portugal.

De modo semelhante aos Mutantes no Brasil, que também apareceram em 1968, o Quarteto 1111 absorveu muito das novas ideias que germinavam no mundo na segunda parte da década de 1960, executando um som que oscilava entre o rock progressivo, rock psicadélico, muito folk, blues – rock e algumas baladas. Os temas das canções tocam os mais variados assuntos como famosos episódios da historia de Portugal, a emigração, ataques ao sistema ditatorial (foram censurados pelo Estado Novo), diferenças sociais, guerra colonial, racismo, o inevitável amor, etc…

Todavia em Portugal, como em todo o mundo, a música mais criativa foi perdendo cada vez mais espaço devido a pressões comerciais e pela acção de críticos intelectualóides que influenciaram o ouvido colectivo e enterraram tantos “fosseis vivos”, ignorando o património monstruoso que as décadas de 60′s e 70′s deram à humanidade.

Não tive acesso a toda a discografia, mas o best of “A Lenda” (20 faixas) é um álbum e tanto, que nos faz dar conta da tristeza que é muita da actual musica comercial actual e nos faz ainda reflectir tanto acerca da situação social deste nosso Portugal.

The Dark Knight Rises – novo trailer

Publicado: 1 de Maio de 2012 por Painatalman em RETROcritica

Vai ser um excelente ano para adaptações cinematográficas de heróis de Banda desenhada!

Miguel Portas, a partida de um lutador…

Publicado: 25 de Abril de 2012 por HernaniMed em ERA UMA VEZ
Etiquetas:, , ,

Este slideshow necessita de JavaScript.

Hoje é dia  25 de Abril e vim aqui interromper o meu “período sabático” para prestar homenagem a um dos homens que mais gostei de ver actuar no panorama politico nacional e que nos deixou tão cedo: Miguel Portas. Sempre apreciei a sua frontalidade, coerência e espírito de missão. Foram muitas as nobres etapas da curta vida deste homem multifacetado (economista, jornalista, politico e eterno activista), começando com a prisão pela PIDE aos 15 anos, os tempos do PCP, a fundação do Bloco de Esquerda, os seus dois mandatos como Eurodeputados, etc.

Sempre a lutar contra as injustiças decorrentes do actual neo – liberalismo, Miguel Portas parte precocemente mas deixa um legado de inconformidade, luta e garra, que todos nós devemos tomar como exemplo para batalhar (ideologias à parte) por uma vida melhor na nossa freguesia, cidade, pais ou Europa…

Fiquem com as frases de quem o conheceu pessoalmente:

Francisco Louçã, líder do Bloco de Esquerda
“Conheci o Miguel, sardento, louro, espigado, irrequieto e tinha 13 anos. Foi numa assembleia de estudantes do ensino secundário, que se realizou na cantina de Económicas, o ISEG de hoje. Discussões acaloradas, heroísmo à flor da pele, a ditadura e a guerra pela frente – nessa altura, o futuro era magnífico. E foi. O 25 de Abril e os melhores anos da nossa vida, como dizia o José Afonso (…) Viveu a vida intensamente e com gosto. Foi dirigente do Bloco e eurodeputado até ao último momento. Incentivou-nos da cama do hospital. Combinou a sua viagem que “faltava, à Birmânia, e que nunca fará. Despediu-se dos filhos.” 

Luís Fazenda, líder parlamentar do Bloco de Esquerda
“Um homem de liberdade, de cultura, uma pessoa que batalhou pelas causas mais nobres da esquerda. Era uma pessoa que tinha uma escrita jornalística apurada, portador de uma ironia fina, um homem alegre. [Era] uma pessoa que se destacou sempre por prezar os seus amigos.” 

Manuel Alegre, poeta, militante do PS e ex-candidato à Presidência da República
“Miguel Portas é um homem muito inteligente, muito culto, umas das figuras mais emblemáticas da esquerda portuguesa (…) É uma grande perda, do ponto de vista político, não só para o seu partido, mas para toda a esquerda e a democracia.”

Marcelo Rebelo de Sousa, comentador político
“É um grande desgosto pessoal e acho que é também uma perda nacional. Era um homem forte, determinado (…) mas muito tranquilo, muito doce, muito humano, aberto a amigos de todos os quadrantes.” 

Fernando Rosas, ex-deputado do Bloco de Esquerda
“Não podemos deixar de o recordar senão dessa maneira, como um pensador e um homem de acção que deixa-nos a sua obra, deixa-nos o seu exemplo, mas deixa-nos a sua ausência, deixa-nos um buraco para todos nós muito difícil de preencher. Porque ele encarava a morte como uma luta que podia vencer; encarou a morte como encarou sempre a vida, como um combatente e portanto, apesar de tudo, surpreendeu-nos ele não ter conseguido ganhar esta batalha porque não estamos ainda preparados cientificamente para ganhar. [Era] um homem do mundo, sobretudo do Mediterrâneo, do cruzamento de culturas, de políticas e de sonhos.”

Em homenagem a todos os verdadeiros heróis de Abril e em memoria do Senhor Miguel, fica aqui o tema “The Fight For Freedom” dos Manowar, para desenjoar um pouco das emblemáticas canções de protesto que ecoam na TV e rádio.

Apesar de ser minha “especialidade” falar por aqui de obras de qualidade duvidosa – ou hilariantemente duvidosa! -, creio ser meu dever desta vez falar de uma série perdida no tempo, e que não pode deixar de ser referida no RETROCrítica, nem que seja pelo seu tema principal ser… a crítica cinematográfica!

Desenvolvido por alguns dos principais nomes responsáveis pelo eterno ‘Os Simpsons’, The Critic não usufruiu da mesma popularidade, tendo sido logo cancelado após duas temporadas. Tal, porém não implica necessariamente que o programa fosse deveras inferior ao trabalho de Matt Groening. Mas no que consiste este programa de culto e aparentemente perdido na obscuridão, e que retrato fazia da sociedade dos anos 90?

O de uma sociedade superficial, quiçá?

Descubram a necessidade, na sociedade moderna, de um crítico humorista depois do clique!

Leia o resto deste artigo »

MADness? THIS IS… MAD (?)

Publicado: 19 de Março de 2012 por Painatalman em RETROcritica

esta cara... lembram-se dela? E haverá motivo para isso?

Paródias: quem não aprecia as misturas entre inúmeras referências culturais, elaboradas de um modo humorístico, satírico ou estranhamente peculiar? Podem ser referentes a acontecimentos reais, a entidades/objectos provenientes de objectos fictícios ou mesmo meras ideias de criança. As frase chave descritoras de como uma paródia funciona vão desde “então e se…” a “como foi possível isto acontecer…”

Ou, no caso dos Super-Heróis, "como nunca ponderou ele fazer isto"?

E aqui entra um programa a que tive oportunidade de assistir nos últimos tempos: MAD.

MAD é uma compilação de sketches originais e baseados em trocadilhos ou hibridizações demasiado estranhas e/ou criativas. É o sucessor do popular programa MAD TV – com a clássica mascote do rapaz ruivo com sardas -, mas agora transmitido no canal “infantil” Cartoon Network e sem o envolvimento direCto de aCtores humanos nos excertos em si. Tais sketches são agora modelados recorrendo a diferentes tipos de animação algo simplistas e caricatos, tais como recortes de revista ou desenhos clássicos de papel e lápis.

Admito que eu, inicialmente intimidado pelo seu aspecto rudimentar, estive perto de nem dar uma oportunidade à edição 2010 de MAD, especialmente quando comparado com outros do género (Robot Chicken). Contudo, a vantagem de um programa de sketches diversificados é a… bem, perdoem-me a redundância, mas é a diversidade. Não fui apreciador nato dos primeiros episódios, fui contudo brindado com os que se seguiram: os trocadilhos no título dos sketches são, em parte, algo exagerados, e frequentemente fora de contexto… mas não era essa a intenção – estar tão fora de contexto que se tornava ridiculamente interessante?

- obrigado, Internet! -

Também fiquei surpreendido com a natureza das referências, não se delimitando a ideias simples e familiarizadas por todos. Pode-se dizer, portanto, que existe em muitos destes episódios um pouco para cada um, até para a malta mais geek em determinadas obras de entretenimento. E, claro está, também conta com algumas ideias tão parvas que nem precisam de gozar com ninguém para ter piada!

- No meio disto tudo, creio ser o regresso de Spy vs Spy o elo mais fraco do programa -

Pessoalmente, fiquei surpreendido com a natureza das piadas ”picantes” do programa, e por este ser exibido num canal como o Cartoon Network, e adoraria vê-lo na SIC Radical. Mas enquanto tal não é possível, não terei outra hipótese senão procurar no ”TuTubo” pelos mais de 40 episódios já transmitidos na televisão Am(a)ricana. É, para mim, uma prova de que existe ainda espaço para este tipo de programas baseados em pequenos micro-episódios, além do popular Robot Chicken, ou a aposta da Disney So Random!, em muito parecida ao clássico MAD TV.

Exemplo destes mash-ups do outro (outro) mundo são apresentados a seguir (e depois do clique), onde poderão contar com Pokémon, Batman, CSI e mesmo Minecraft.

Midnight in Paris vs The Invention of Hugo Cabret

Publicado: 16 de Março de 2012 por HernaniMed em CINEMA

 

Este slideshow necessita de JavaScript.

Para não ser sempre retro aqui vai… Este ano surgiram em simultâneo 3 filmes de homenagem a períodos de ouro na cultura popular, focando-se nas duas primeiras décadas do século XX: A invenção de Hugo - Primórdios do cinema, O Artista – Cinema Mudo e Midnight in Paris – Literatura e Arte  dos anos 20.

“My friends, I address you all tonight as you truly are; wizards, mermaids, travelers, adventurers, magicians… Come and dream with me”

A invenção de Hugo conta a historia de um miúdo orfão que é responsável pelos relógios da estação do metro e tem como hobbie a restauração de um autómato. A estação é recheada de personagens deliciosas e um homem frio, misterioso e sempre com um ar mal – disposto que gere uma loja de brinquedos. Hugo ao tentar roubar peças para acabar o seu projecto secreto, acaba por entrar na vida deste homem e descobre uma historia fantástica…

O filme é fenomenal a nível técnico e possui uma realização soberba do versátil Martin Scorsese. Houve um grande trabalho a nível das personagens, desde o miúdo Asa Butterfield, o veterano  Ben KingsleyHelen McCroryChloë Grace Moretz e o grande talento Sacha Baron Cohen. A narrativa é uma bonita homenagem às origens do cinema principalmente à obra do pioneiro cineasta Georges Méliès. Em suma, um filme muito bem feito que introduz um interessante conceito de distinguir algo de forma fluida e natural.

“Yes, but you’re a surrealist! I’m a normal guy!”

Midnight in Paris conta a historia de Gil, um argumentista de Hollywood, com simpatias de esquerda e fascinado com a cultura do inicio do século. Gil (Owen Wilson) e a sua noiva vão de férias para Paris, que é a sua cidade fetishde e onde ele sempre desejou viver e mergulhar numa carreira de escritor de romances, ao contrario de sua noiva. Nos seus passeios nocturnos Gil, ao entrar para um carro antigo, viaja para Paris dos anos 20 e ai contacta com génios intelectuais da altura: Picasso, Dali, Scott Fitzgerald, Hemingway, Luis Buñuel, etc. Esta experiência faz Gil questionar o seu relacionamento e finalmente perceber o quer da vida: Viver numa cidade que respira arte, ser escritor e deixar a sua namorada superficial e sem sal.

O filme é também uma homenagem, neste caso aos grandes pensadores dos anos 20 que marcaram o século XX. Ao contrario de Hugo o filme está longe de ser uma grande produção e apesar de o filme andar à volta de uma pseudo  - fantasia, esta película possui um estilo mais cru. As personagens e o ambiente são muito à Vicky Cristina Barcelona, onde os protagonistas ainda estão à procura do seu caminho (mesmo sem saberem), e descobrem a solução numa grande cidade e nos seus iluminados habitantes. Embora as interpretações não estejam ao nível de Hugo, este filme consegue também espicaçar a nossa imaginação e ao aproxima-nos muito das personagens (eu pessoalmente identifiquei-me muito com Gil :) ). Acho que Woody Allen volta  a provar o seu valor, com um bom texto e uma realização que, embora não seja a minha favorita, “desenrasca” muito bem.

Como não vi o Artista, para já fica aqui este frente-a-frente entre Hugo e Midnight in Paris, sendo o veredicto final um apaziguador EMPATE. Dois filmes obrigatórios, nestes dias em que se faz tanta coisa sem jeito nenhum.

Scarface, o Guloso

Publicado: 14 de Março de 2012 por HernaniMed em CINEMA

Este slideshow necessita de JavaScript.

“The World is Yours.”

Tony Montana (Al Pacino) aproveitando a lei do “pé seco, pé molhado”, foge de Cuba com um amigo e refugia-se em Miami. Após a sua chegada e das típicas dificuldades iniciais, Tony começa a praticar pequenos delitos e devido ao seu carácter destemido e ambicioso depressa cai nas graças de Frank, um dos grandes chefes da máfia da Florida.  Mas a sofreguidão de Tony leva-o a fazer negócios à parte do seu patrão Frank, o que azeda a relação entre ambos. Tony não vai de modas, derruba o império de Frank e ainda rouba a sua miúda. Contudo, Tony mesmo depois de chegar ao topo do crime parece ainda não estar satisfeito, adoptando uma conduta cada vez mais excêntrica! Será que alguém consegue parar a loucura deste novo mob boss?

“This is paradise, I’m tellin’ ya. This town like a great big pussy just waiting to get fucked.”

Este filme tornou-se um ícone da cultura pop por contar de uma maneira agressiva a historia de um emigrante nos E.U.A. que consegue vencer as dificuldades e chegar ao topo do seu ramo. O filme ficou famoso pelas cenas de grande violência e frases memoráveis, e foi durante muito tempo uma fonte de influencia para o cinema. Depois da grande pegada de Padrinho, esta obra reformulou o conceito de filmes de máfia, oferecendo um estilo muito ousado e fresco.

Segundo a minha perspectiva, devido ao exagero propositado de algumas cenas vejo o Scarface como uma sátira gigante ao american dream, à ganancia cega enraizada na sociedade americana,  à vida fácil a partir do crime ou à aquela velha questão existencial da eterna insatisfação do Homem. Esta linha de filmes com “nuances satíricas” foi religiosamente seguida nos anos seguintes por filmes como Goodfellas ou Pulp Fiction…

Resta elogiar a realização de Brian De Palma e a gigante interpetação de Pacino, personagem que (como eu gosto) nunca sabemos bem se odiamos ou amamos. Para terminar, acho que o mais acertado será lançar aquele grande e antigo chavão: “Cuidado camarada, o poder pode subir-te à cabeça”

 ”I kill a communist for fun, but for a green card, I gonna carve him up real nice”

“You know what capitalism is? Getting fucked!”